ADEUS TV DAS CASAS BAHIA

Dentre as coisas sem nenhuma importância, o futebol é das mais importantes.

Desde 2009 , venho afirmando que Brasil seria campeão do mundo de futebol em 2014. Na sua casa. Que não se repetiria a tragédia de 1950. Que este era o projeto, inclusive da FIFA. O que falar agora?

Mantenho a convicção de que este era o roteiro previsto. Porém, não obstante as coisas incríveis que faz, para o bem e para o mal, a FIFA ainda não opera milagres. O Garrincha diria que faltou combinar com os russos. Neste caso, com os alemães.

Parafraseando Nelson Rodrigues (supremo atrevimento da minha parte), aí é que entra em campo o Imponderável Futebol Clube, que torna este esporte tão fascinante. Mas seria tão imponderável assim?

Da minha parte, faço um mea culpa: de todas as variáveis envolvidas, deixei de considerar o que falou um amigo, há alguns anos. Seria sim, a vez do Brasil, concordou ele. Mas acrescentou que nos faltariam jogadores à altura, pois estávamos numa jamais vista entressafra de craques. Não lhe dei ouvidos. Apesar das evidências gritantes e a maior delas foi uma inédita convocação quase sem contestações. Ninguém criticou o técnico. Vá lá, havia um ou outro pedindo Ronaldinho Gaúcho e Luiz Fabiano, mas sem muita convicção.

Outra sintoma apareceu nos vexames dos times brasileiros no últimos Mundiais de Clubes. Primeiro, foi o Internacional de Porto Alegre, em 2010, perdendo para um time da República do Congo. Depois, em 2011, o Santos, goleado pelo Barcelona na partida final. Em 2013, foi a vez do Atlético Mineiro, eliminado antes da final por um time do Marrocos. Aliás, o Santos voltaria a ser goleado pelo Barcelona (8 X 0), num amistoso, ano passado.

Portanto, “só não viu quem não quis”…

Mas o que me dói mesmo é ter perdido a TV da promoção das Casas Bahia…

 AINDA SOBRE FUTEBOL

Em julho de 2011, publiquei um texto no Jornal Ótimo de Canoinhas e no site www.observadordaqualidade.com.br, que reproduzo a seguir.

O título era: MEU PAI TINHA RAZÃO.

Quando eu era criança, meu pai costumava, aos domingos, me levar ao estádio Alinor Vieira Corte, para assistir a jogos de futebol do Santa Cruz, principalmente nos seus embates com o arquirrival Botafogo, ambos times de Canoinhas.

Também íamos assistir aos espetáculos de circo, sempre que pintava um por aqui. Certa vez havia um artista que controlava a bola na cabeça, por um tempão, sem deixar cair. Falei pro meu pai que aquele cara bem que poderia jogar no Santa Cruz. Meu pai replicou dizendo que aquilo que o sujeito fazia não teria o menor sucesso numa partida de futebol de verdade, pois não renderia nada para a equipe.

O tempo passou. O estádio Alinor Vieira Corte já não existe mais. O Santa Cruz é só mais uma das boas lembranças de minha infância. E já faz bastante tempo que me desencantei com o futebol.

Recentemente tive mais razões para esta desilusão. Foi no dia seguinte ao jogo de despedida da seleção brasileira do atleta Ronaldo Nazário, suposto fenômeno como jogador, comprovado prodígio em outra área, “case” de sucesso de marketing.

A TV Globo mais uma vez demonstrou como as coisas vêm sendo tratadas no esporte. Ao falar da partida, um repórter exaltou os “dribles absurdos” de Neymar e as jogadas excepcionais dos jogadores brasileiros. Enquanto isso as imagens das tais jogadas eram mostradas. Numa, Neymar sapateava diante de um zagueiro adversário imóvel. O jornalista falava em “pedaladas”. Noutra, uma tentativa de “bicicleta” do atacante Fred quase no meio do campo e, finalmente, um “chapéu” absolutamente inofensivo, aplicado por Robinho num oponente. Era, como se dizia antigamente, o que agradava aos americanos no soccer (isto numa época em que os americanos só entendiam do football). Mas eram incapazes, assim como boa parte dos que hoje se dizem torcedores (virou moda, são consumidores de futebol), de apreciar a beleza e a importância de uma bola “matada” no peito por um defensor na sua pequena área, para em seguida sair jogando com a bola no chão, iniciando um ataque com um preciso passe de trinta metros de distância. Um lance como este não apareceria nos melhores momentos, mesmo que resultassem em gol. Só destacariam o momento do gol e da comemoração, principalmente se ela for “criativa”, que é um eufemismo para “quanto mais extravagante, melhor”. Aliás, parece que tem jogador que ensaia mais a comemoração do que a jogada propriamente dita. O que vale é o espetáculo, ou melhor, “o show especatuloso”: malabarismos, embaixadinhas inócuas, pirotecnia, comemorações esdrúxulas, declarações ridículas, vida pessoal escancarada, “evasão” de privacidade, escândalos… O circo era melhor.

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Sobre Copas do Mundo de Futebol

Antes que comece a Copa do Mundo de Futebol, vou republicar algumas notas que escrevi sobre o tema desde 2006, na minha extinta coluna no jornal Ótimo de Canoinhas e no antigo site http://www.observadordaqualidade.com.br:

Em fevereiro de 2006, anotei, com o título “ANOTE E COBRE” a propósito da Copa do Mundo que seria realizada naquele ano na Alemanha:

Até pode ser que a seleção brasileira chegue à final da Copa do Mundo de Futebol. É bem provável também que a decisão seja contra o país sede, a Alemanha. Mas, não será em 2006 que o Brasil conseguirá o hexa.

Nota atual: quem ganhou a copa de 2006 foi a seleção da Itália.

 

No mesmo ano de 2006, em julho, depois da copa, escrevi o texto “ EU AVISEI”:

Na coluna de 3 de fevereiro, sob o título “Anote e cobre”, eu afirmei que o Brasil não seria hexacampeão nesta Copa do Mundo. Depois de confirmada a previsão, um amigo me perguntou se eu havia consultado a tal mãe Dinah, uma vidente que parece ter dito a mesma coisa. Nada disso, apenas me apoiei em fatos concretos. Não em números fantasiosos, como aquela espécie de pirâmide que circulou na internet e que queria provar com uma seqüência de números, que o Brasil estava fadado a ser campeão na Alemanha. Pelo menos dez pessoas me mandaram essa tabela. Teve até quem publicou num jornal por aqui. Na verdade considero aquilo algo parecido com as tolices que o Zagalo gosta de fazer com o número treze. Mas então vamos aos fatos:

1. Apenas em duas ocasiões um país conseguiu ser campeão em Copas seguidas: a Itália, em l934 e l938 e o Brasil, em 1958 e 1962.

2. Uma única vez uma seleção de país não europeu venceu a competição na Europa: o Brasil, em 1958, na Suécia.

3. Finalmente, o mais importante: os negócios… Já faz muito tempo que o futebol foi apropriado pelas “máquinas de fazer dinheiro” e deixou de ser uma manifestação popular espontânea. A Copa do Mundo de 2014 provavelmente será no Brasil e ninguém acha que se repetirá a chamada “tragédia de 1950”. Ficaria muito sem graça se um país ganhasse um campeonato mundial atrás do outro. Já perceberam que não existe uma Copa do Mundo de basquetebol? (Se existe, ninguém nota). Portanto, que não se espere grande coisa pro Brasil na Copa de 2010, na África do Sul. Mais uma vez, anote e cobre.

E como eles conseguem manipular tudo isso? Para reflexão, proponho outra questão: porque a FIFA não aceita, de jeito nenhum, que se utilizem meios eletrônicos para esclarecer dúvidas durante os jogos, como se faz em outros esportes igualmente milionários como o tênis?

 

Já em Outubro de 2009, sobre a Copa de 2010, na África do Sul, registrei, sob o título “BUSINESS (2)”:

A FIFA adoraria se a Espanha ganhasse a próxima Copa do Mundo de Futebol, no ano que vem. Também não ficaria triste se a Alemanha, a Inglaterra, a França ou a Argentina vencessem o torneio. As únicas seleções que não podem ganhar de jeito nenhum são as da Itália e do Brasil. Seria muito ruim para os negócios. A Itália já ganhou a última. E, como ninguém imagina que se repetirá do desastre de 1950, para o Brasil já está reservada a Copa de 2014, com a seleção comandada por Luiz Felipe Scolari. Mano Menezes e Muricy Ramalho correm por fora.

Nota atual: A seleção campeã na África do Sul foi a da Espanha. Na época, o técnico brasileiro era o Dunga. Depois do campeonato mundial de 2010, Muricy Ramalho foi convidado e recusou o posto. Assumiu o Mano Menezes, mas só pra esquentar o lugar pro Felipão, que, reitero, vai ser mais uma vez campeão do mundo com a seleção brasileira. Até já comprei a TV da promoção das Casas Bahia.

 

PRA FINALIZAR

Tenho a consciência tranquila. Sobre as manifestações contra a copa do mundo que vêm acontecendo tardiamente, registro o que escrevi em 02.11.2007, com o título “TRISTE PAÍS”, em meio aos festejos gerais logo depois de o Brasil ter sido escolhido sede da copa do mundo de 2014:

Então tá. Nos próximos seis anos só vamos falar em construir estádios de futebol. Escolas, hospitais, presídios, ora, ora, pra quê?

Nota atual: Mas tem um detalhe: imagine se o então presidente Lula tivesse recusado sediar a copa do mundo de futebol, alegando que o Brasil possuía outras prioridades como saúde, educação e segurança… O que aconteceria com ele? Acredito que teria sido trucidado pela mídia e é bem provável que sofresse o impeachment. Até imagino o discurso que o senador Álvaro Dias faria na tribuna do Senado…

 

 

 

 

“Para os amigos tudo, para os inimigos a lei…”

Agora que a justiça alemã e as redes sociais obrigaram a grande mídia brasileira a romper a blindagem, tratando como “ novidade” o antigo caso da Siemens e do governo de São Paulo, republico texto que saiu no dia 5 de Julho de 2009, no jornal Ótimo de Canoinhas e no site www.observadordaqualidade.com.br.

Na virada do século 18 para o 19 a corrupção era apontada como o mais grave problema da política americana. O historiador Joel Horowitz, da Saint Bonaventure University, em Nova York, diz que os Estados Unidos reverteram o quadro, entre outras medidas, por meio de implacável cobertura da imprensa de casos de corrupção. A informação está na edição 2095, de 14.01.09, da revista Veja.  

Aqui no Brasil, a esperança de que isto aconteça é muito pequena. A “implacável cobertura” só atinge quem não comunga do pensamento único vigente hoje na grande mídia. Se alguém com este perfil é acusado de algo, o fato rende manchetes, matérias de capa, com repercussão nos principais noticiários de televisão, rádios, e por aí vai. Por vários dias. Pode ser até um vizinho do primo do compadre do assessor de algum político que não compartilha dos “ideais” da grande imprensa. É culpado até que prove o contrário.

No entanto, quando outro político, desta feita do lado deles, é apanhado com a mão na cumbuca, a cobertura é bem mais suave.

Nota atual: A propósito, não posso deixar de lembrar que quem desmascarou o Ricardo Teixeira e o João Havelange não foi nenhum jornalista brasileiro, mas um inglês. E que quem quer colocar o Paulo Maluf na cadeia não é a justiça brasileira, mas a americana. No primeiro caso, é possível supor os motivos. Já o segundo, nos propicia uma boa reflexão.

Sobre o autor

Sou Zeno Ribeiro.
Primeiro filho.
Júnior por reverência.
Afinal, homenagem ao pai
Era natural, mandava a tradição.
Hoje deixei de ser menino
Sou homem vivido.
Já cumpri várias etapas.
Estudei, trabalhei,
De office-boy
A gerente de banco.                                                                                                                                                                                  Estudei, jubilei…
Hoje sou consultor, multiplicador, facilitador, orientador…
Nunca professor, que é muito mais do que realmente sou.
Na vida levo a certeza de ser um eterno aprendiz.
Atuo com pessoas e na área de qualidade.
Sou atento observador.
Até tenho endereço na web,
Para divulgar o que posso observar.
Simples, mas com conteúdo.
Faço da leitura um hábito diário.
Informação faz parte da minha alimentação.
Gosto de compartilhar conhecimentos.
E, não espero reconhecimento.
Quero apenas plantar a semente.
Sem oferecer certezas, mas o mote da reflexão.
Mexer com os comodistas.
Provocando inquietação.
Ajudar a alcançar o primeiro degrau
De uma caminhada.
Passar conceitos, vivências,
Exemplos e experiências.
É assim que vejo agora
A minha missão de cidadão,                                                                                                                                                                         E voluntário militante                                                                                                                                                                                  Pela boa gestão empresarial.

 

Descrição do autor do blog, feita por Sandra Mara Passos Lazzaris.

A lição é de casa

Num dos cursos de Atendimento ao Cliente que ministrei, um dos participantes, já no primeiro dia me surpreendeu com um questionamento inusitado. Perguntou se não existiam “cursos para clientes”. Esclareceu ele que havia muitos clientes mal educados, abusados mesmo, que necessitariam de alguma capacitação para poderem se relacionar com os atendentes em geral. Confesso que, num primeiro instante fiquei meio desconcertado, achando que ele estava brincando. Mas não, estava falando sério! Um tanto embaraçado, respondi que não tinha conhecimento da existência de tais cursos.

No entanto, depois, refletindo bem, concluí que, na verdade, estes cursos existem sim. E desde os tempos mais remotos.  São desenvolvidos nas casas das pessoas. Os professores são os pais. São eles que ensinam, por exemplo, o uso daquelas palavrinhas mágicas: “por favor”, “obrigado”, “com licença”, “desculpe”, hoje tão fora de moda… Especialistas afirmam que os valores que realmente vão nortear nossa vida, nos são ensinados até os sete anos de idade. Se, nesta época, recebemos noções de relacionamento interpessoal, ótimo. Caso contrário, poderemos nos tornar daquelas pessoas que acham que, porque estão pagando, podem tratar as outras de qualquer jeito, com grosserias. Que marcam hora no médico, no dentista, no cabeleireiro, e simplesmente não aparecem, sem dar qualquer satisfação. Que, ao fazerem alguma reclamação, o fazem ofendendo os outros. Que estão o tempo todo tentando passar alguém pra trás. Ou então acham que estão o tempo todos querendo lhe passar pra trás… Que, em toda negociação, querem ganhar sempre, tudo e por qualquer meio, mesmo que seja escuso.

De qualquer modo, quem atende ao público não pode fazer muita coisa em relação a isso, já que não lhes cabe dar este tipo de educação aos clientes. Deve é estar preparado pra lidar com todo tipo de gente. Precisamos ter consciência de que “no final das contas, a gentileza é o melhor que podemos oferecer às pessoas e a nós mesmos”. Esta frase está no livro “A Arte de Ser Gentil”, de Stepan Einhorn, Editora Objetiva, que recomendo para clientes e atendentes.

(Texto publicado originalmente em 03.07.09, no jornal Ótimo de Canoinhas e no site http://www.observadordaqualidade.com.br)

E nós com isso?!?!

Fulano, eu vou ao banheiro! Gritou para seu chefe a auxiliar de caixa daquele supermercado. Eu estava próximo, no final da fila do “caixa rápido”, por sinal, extensa. A moça passou por nós e eu quase lhe disse: olha, tem gente aqui atrás na fila que não escutou. Você quer que eu retransmita pra eles?! Pena que ela não falou o que iria fazer, pois a informação seria mais completa.

Pois é, qual o interesse do cliente saber que o atendente vai ao banheiro? Ou da situação do romance de alguém que fica trocando confidências com o (a) colega enquanto atende você? Ou da revolta com o patrão por algum motivo? No instante do atendimento, também conhecido como “momento da verdade”, o cliente deve receber toda a atenção de quem o atende. Deixe os assuntos particulares pra depois.

E avisar em voz alta que vai o banheiro! Essa é demais… No caso acima, como já mencionei, a fila estava tão grande que ainda deu tempo de ver a moça voltar. Temi que alguém perguntasse: e aí, como foi? E que ela respondesse (como costumava dizer um querido ex-colega, já falecido): até que pelo esforço não rendeu tanto…

Qualidade (ou a falta que ela faz) na informação

Por considerá-lo (surpreendentemente!) atual, republico texto divulgado em 04 de novembro de 2005 (sim, 2005, não é engano) no jornal Ótimo, de Canoinhas e no site http://www.observadordaqualidade.com.br 

Quantidade não é sinônimo de qualidade – A abundância de informações que a internet oferece é algo realmente espantoso. Tudo o que você quiser está lá. No entanto, é preciso muito cuidado com as origens das informações. Além dos vírus de computador, tem muita bobagem circulando. Já se dizia que o papel aceita tudo. A internet também aceita. A revista VEJA já abordou este assunto na edição de 9 de julho de 2003, alertando para o fato de que “nem tudo que chega pelo e-mail é autêntico”.  Na matéria, a revista cita os autores mais constantemente “falsificados” na rede: Arnaldo Jabor, Luis Fernando Veríssimo, Pablo Neruda, Clarice Lispector, Mário Prata, Artur da Távola, Gabriel Garcia Marquez.

Volta e meia me mandam textos “assinados” por pessoas famosas. Uma vez recebi um que seria de autoria do jornalista Franklin Martins, com um teor que esculhambava o deputado Jutahy Magalhães, hoje no PSDB da Bahia. O título era “VERGONHA NACIONAL”, e trazia o subtítulo “Já que o Franklin não pode falar na Globo, vamos dar uma chance a ele  pela net… “ Achei meio estranho e resolvi checar mais a fundo. Por intermédio do site oficial da Rede Globo (www.globo.com), remeti uma mensagem ao jornalista Franklin Martins, com o texto anexo, pedindo que ele confirmasse se o escrito era realmente seu. Para minha imensa surpresa, no mesmo dia, ele respondeu: “Zeno, agradeço a consulta, mas o texto não é de minha autoria. Circula na Internet há quase três anos, indo e voltando ao sabor das ondas da política baiana. Depois das eleições de 2002, ganhou massa crítica e vida própria. É uma praga… Abraço, Franklin”.

Portanto (principalmente você que descobriu a web agora), abra o olho antes de repassar as mensagens que recebe pela internet, mesmo aquelas que lhe são agradáveis. Você pode, além de passar por bobo, estar ajudando a disseminar essa “praga” a que se referiu Franklin Martins.